Os perfis das vagas mudaram e a maneira pelas quais elas passaram a ser preenchidas também. “As empresas precisaram construir um novo processo de avaliação, necessário para se adaptarem ao cenário de momento e que perdurará na era pós-Covid19”.

Com esse redesenho, as empresas voltaram a contratar e algumas áreas despontaram com uma maior demanda. Especificamente na área de TI, notou-se um relevante aumento no número de oportunidades. Com o home office em alta, a tecnologia passou a ser, mais do que nunca, aliada número um dos diferentes modelos de negócios e o profissional de TI se consolidou como peça-chave nessa engrenagem. As empresas e talentos que tiveram mais sucesso no período seguiram algumas premissas importantes, as quais destacamos abaixo.

 

Ecossistema para atração de profissionais qualificados

A empresa contratante precisa oferecer a melhor experiência possível aos candidatos. Desde o início, deixar claro a todos qual será a quantidade e a qualidade das etapas às quais serão submetidos. Se ocorrerá via plataformas online ou presencial e qual deverá ser o tempo desprendido em cada estágio do processo. Isso demonstra um cuidado, que é percebido e bem avaliado por todos.

A empresa, para ser atrativa, deve prover um ambiente colaborativo e transparente, para que o profissional tenha os sinais positivos de que terá autonomia e aportará valor. Além disso, a sensação de que irá vivenciar um espaço de troca em um ambiente pulsante de inovação e novas tecnologias.

Para se ter novas ideias e pensar fora do padrão, a diversidade se torna uma condição primordial para a reinvenção dos negócios. Trazer pessoas que sejam oriundas das mesmas bases sociais, mesmas formações acadêmicas, mesmos setores e mesmas bases culturais não trará nenhum tipo de reflexão sobre negócios tradicionais e modelos pré-estabelecidos. Empresas de sucesso já entenderam isso e passaram a promover e fomentar o tema internamente, para obterem vantagens competitivas. Um exemplo disso se dá no programa de trainee lançado para a Magazine Luiza, voltado para profissionais negros.

 

Avaliação técnica e comportamental

A depender do nível de especificação, a aplicação de testes técnicos, além dos comportamentais, é sugerida. Para isso, há plataformas diversas no mercado.

Outra avaliação comumente explorada pelas empresas é a do compartilhamento de um case real do cotidiano da companhia para análise dos comportamentos do profissional diante de um determinado desafio. Durante a pandemia, entretanto, essa etapa ficou prejudicada, uma vez que a apresentação passou a ser por vídeo. Ainda assim, embora não seja exatamente a mesma experiência para todos, as plataformas e ferramentas de mercado conseguem cada vez mais prover uma realidade mais próxima daquela presencial e se tornaram meios interessantes de mitigar os riscos de erro em uma contratação.

Já para testar as habilidades comportamentais do candidato é preciso fazer uma análise de seu histórico, o que geralmente se dá por meio de uma entrevista por competências. Porém, esse método tem se tornado obsoleto, uma vez que “sucesso passado não é garantia de sucesso futuro.”

Uma boa avaliação comportamental se dá a partir do método do Learning Agility, na tradução literal, “agilidade de aprendizado”. A ideia deste novo conceito é conseguir identificar com que velocidade o profissional aprende algo novo e com que rapidez o aplica em seu dia a dia para superar determinados desafios. A assertividade na análise dos talentos a partir deste novo modelo cresce sensivelmente.

 

Comportamentos esperados na sala de entrevista

Vivemos na era da informação. Chegar na sala de entrevista sem o mínimo de conhecimento sobre a empresa pode ser desastroso. Todo recrutador ou empregador gosta de ouvir sobre o interesse do candidato pela vaga, além da sua aderência à missão e aos valores da empresa. Ter ciência deles e se engajar a estes pontos são fator primordial para se sair bem em uma avaliação.

É importante que o profissional mostre, com fatos e dados, exemplos de realizações em que foi além do previsto e solicitado. Que fale sobre ações que partiram de seu próprio ímpeto. É interessante também, que o entrevistado demonstre um certo grau de dinamismo no diálogo. Tem de praticar a escuta ativa e sinalizar interesse no que o interlocutor compartilha, trazendo ideias e visões novas para os problemas apontados, mesmo que os assuntos sejam de áreas distintas daquelas de seu escopo de atuação.

 

Efeitos da pandemia

Apesar dos processos seletivos terem a mesma essência, o rigor na hora da seleção aumentou consideravelmente. Isso porque negócios de diferentes portes e posições dos mais diversos perfis foram colocados à prova e agora são obrigados, até mesmo, a justificar suas existências.

A reinvenção contínua dos negócios é uma realidade e esta consciência gera uma maior empregabilidade na era digital, onde a competitividade está mais acirrada e os desafios são muitas vezes desconhecidos.

Mesmo ainda em um cenário de pandemia/crise, as empresas que saíram na frente são as mais elásticas, colaborativas, diversas e dinâmicas e são as mais procuradas pelos melhores talentos. A recíproca também é verdadeira.