Além de todos os eventos que envolvem os profissionais de saúde em época de pandemia, outra questão é dificultosa entre as entidades representativas de classe.

Pela representação econômica (patronal), uma dificuldade é o reajuste da folha de pagamento, diante dos inúmeros prejuízos que os prestadores de serviços de saúde obtiveram, seja no âmbito privado ou sem fins lucrativos.

Por outro lado, os representantes profissionais também não admitem aprovação de reajustes sem previsão de aumento real e a reposição de inflação do período.

As situações da atual conjuntura política e econômica refletem uma preocupação enorme com a sobrevivência dos prestadores de serviços de saúde, que vislumbram não haver a possibilidade de perda de mão de obra para continuidade do trabalho.

A configuração do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda sobrevive graças às entidades filantrópicas e, embora com processos de contratualização e metas de prestação de atividades, ainda não consegue custear suas despesas.

Na maioria dos municípios, em épocas eleitorais, há promessas de mundos e fundos, mas a realidade é cruel em várias cidades.

Em muitas localidades, as Santas Casas e hospitais filantrópicos são o único equipamento de saúde e, sem estas instituições, não há anuência ao atendimento da população.

Por outro lado, a Covid-19 trouxe a preocupação para construção de tendas, hospitais de campanha, aquisições de equipamentos sofisticados e outras despesas enormes para a ocasião.

Obviamente, a demonstração do gestor público com seu eleitorado, nestas aquisições de suprimentos hospitalares em linha de emergência, livre de cotações, proporcionou e proporciona uma avalanche de escândalos e desvios de recursos públicos.

A pergunta já feita e sem retorno concreto é: para onde irá ou foram remetidos os insumos e os equipamentos adquiridos nas municipalidades, situação que acabou ocasionando atrasos nos repasses e compromissos com as instituições sem as devidas quitações?

Assim, continua a temática eleitoral – Saúde, Segurança e Educação. É certo que a primeira continuará nas agruras de sobrevivência, em especial aquelas que visam atendimento da população, que ora não é mais apenas os carentes, mas todos aqueles que abandonam seus planos de saúde para ingresso ao SUS.

E cabe às Santas Casas e entidades filantrópicas a responsabilidade de arcar com o custeio, seja para o funcionamento, mas, principalmente, para assumir a sua maior despesa, que é a manutenção de seus recursos humanos, diante do impacto das negociações coletivas.

Na prática, a defesa de interesses das representatividades (patronal ou profissional) sobeja à valorização e enaltecimentos em tempos difíceis.