Muitos são os agravos à saúde do trabalhador, decorrentes de suas atividades na indústria farmacêutica.

As condições de trabalho podem determinar maior ou menor agravo; assim, se faz necessário o gerenciamento dos riscos à Saúde e Segurança Ocupacional (SSO) de modo a proporcionar aos trabalhadores condições de trabalho que favoreçam a redução dos riscos.

Os agravos à saúde aqui considerados são os efeitos adversos sobre a condição física, mental ou cognitiva do trabalhador.

Neste contexto, a Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO), com foco em eliminar o perigo e minimizar os riscos ocupacionais se faz imprescindível, de modo a oferecer locais de trabalho seguros e saudáveis, prevenindo lesões e problemas de saúde relacionados ao trabalho, tomando medidas preventivas e de proteção efetivas.

Dentro da ótica de prevenção, destaca-se o Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional (PCMSO), instituído pela Norma Regulamentadora Nº7 (NR-7).

Este programa é coordenado pelo Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) instituído na Norma Regulamentadora Nº4 (NR-4).

O PCMSO determina a obrigatoriedade da realização de exames periódicos nos trabalhadores, o que apresenta especial relevância, por permitir o diagnóstico da condição de saúde destes, possibilitando que a empresa, neste artigo representado pela indústria farmacêutica desenvolva programas de prevenção de agravos, de promoção e educação à saúde, tendo em vista a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

Por meio do exame periódico é possível também mapear a tendência, por parte de alguns trabalhadores, de desenvolver doenças crônicas e assim propor intervenções (programas) que promovam a saúde.

Como exemplo é fundamental citar o trabalho desenvolvido pelo SESMT do Instituto Vital Brazil S.A., Empresa de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Rio de Janeiro, ligado à Secretaria de Saúde – o projeto intitulado: Redução do Risco Coronariano e da Diabetes, um programa de intervenção, que surgiu a partir da avaliação dos resultados obtidos em exames periódicos, por ter sido detectado um grupo de empregados com risco elevado de desenvolver tais agravos à saúde.

As intervenções propostas abrangeram também orientação nutricional.

Como resultado de uma prática bem-sucedida, o projeto recebeu o Prêmio Ser Humano, conferido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos -RJ (ABRH-RJ) para as Melhores Práticas em Gestão de Pessoas, no ano de 2014.

Importante ressaltar que na indústria farmacêutica, a frequência de internações de doenças crônicas gerenciáveis e o índice de cirurgia de obesidade estão acima da média em relação a outros segmentos da economia – o que reforça a importância de práticas como esta desenvolvida pelo Instituto Vital Brazil.

As indústrias farmacêuticas, como as demais empresas, são responsáveis pela promoção e proteção da saúde física e mental dos seus trabalhadores, cujos requisitos de segurança e saúde ocupacional são estabelecidos nas Normas Regulamentadoras (NR), que padronizam e fornecem procedimentos obrigatórios.

Porém, para além das normas é necessário desenvolver uma cultura de saúde e segurança ocupacional, com a participação de todos os envolvidos no processo de trabalho, inserida na cultura organizacional da empresa.

Neste sentido, importante ferramenta para a Gestão da Saúde e Segurança Ocupacional foi publicada em 2018 – a norma ISO 45001 – que dispõe sobre o Sistema de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO).

A publicação desta norma representa uma inovação na área de SSO, uma vez que é baseada em processos e não apenas em procedimentos, e considera a identificação de perigos e riscos, mas também as oportunidades.

Esta norma inclui a opinião de todos os trabalhadores, ou seja, a alta direção, pessoas de nível gerencial e não gerencial, com envolvimento na tomada de decisões.

Ademais, a norma representa um marco, por ser a primeira norma ISO publicada na área de SSO representando um grande avanço, e por apresentar as mesmas diretrizes para as normas ISO de sistema de gestão.

Dialoga com as demais Normas ISO do Sistema da Qualidade e com conceitos amplamente utilizados nas diretrizes de Boas Práticas de Fabricação (BPF) da indústria farmacêutica, como por exemplo, a não conformidade, ação corretiva, avaliação de desempenho, avaliação de riscos, melhoria contínua.

Tais fatores podem favorecer sua implantação neste segmento.

A ISO 45001/2018 não se trata de norma obrigatória, porém sua implantação pode representar, para as empresas, avanços fundamentais no desenvolvimento de uma cultura de saúde e segurança ocupacional.