Este estudo de caso objetivou analisar situações estressantes para os enfermeiros atuantes na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital filantrópico do estado de São Paulo – Brasil, onde foi realizada uma pesquisa quantitativa de caráter exploratório.

A análise foi composta por um total de 50 enfermeiros, aplicando-se a Escala de Estresse Bianchi, nos enfermeiros que trabalham nos turnos da manhã, tarde e noite das unidades de terapia intensiva e os profissionais que já haviam trabalhado nos últimos 2 anos em UTIs.

Estudos sobre adoecimento no trabalho discutem sobre as razões cientificas para destacar que o ambiente de trabalho pode ser prejudicial para os profissionais expostos a fatores que induzem ao estresse.

As doenças geradas no ambiente de trabalho, em especial na área de saúde estão cada vez mais em evidência.

O estresse vivenciado no cotidiano, à medida que se acumula pode ir gerando sintomas não perceptíveis ao próprio profissional.

Desta forma, ao longo da jornada de trabalho, o estresse pode resultar em incapacidades que impedem o profissional de exercer suas atividades e como consequência, coloca em risco a sua vida e a do indivíduo a quem prestará assistência.

A enfermagem é considerada uma profissão que sofre o impacto do estresse que advém do cuidado constante com pessoas doentes e situações imprevisíveis, principalmente nas unidades críticas, e conforme a Organização Mundial da Saúde – OMS – os transtornos mentais menores acometem aproximadamente 30% dos trabalhadores ocupados; os transtornos mentais graves, entre 5% e 10%.

No Brasil, dados do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS – referentes à concessão de benefícios previdenciários de auxílio-doença – por incapacidade para o trabalho superiores a 15 dias e de aposentadoria por invalidez ou incapacidade definitiva para o trabalho – demonstram que os transtornos mentais ocupam o terceiro lugar entre as causas dessas ocorrências.

Desta forma, inseridos no ambiente hospitalar, um dos ambientes mais vistos como estressores é a Unidade de Terapia Intensiva – UTI.

Este setor, caracterizado como específico e de diferentes especialidades médicas, abrange o cuidado integral ao paciente em estado crítico.

Trata-se de um ambiente complexo, com cargas e exigências de trabalhos maiores, se comparados às outras Unidades do hospital.

Além disso, apresenta uma demanda de pacientes que é contínua e que requer do profissional de enfermagem, sobretudo dos enfermeiros, preparo técnico-científico e aptidão para exercer as funções inerentes ao setor.

Este perfil de Unidade aliado ao tipo de atividades favorece o desenvolvimento do estresse e das doenças ocupacionais, sejam físicas ou psicológicas.

Diante dessas características, o ambiente de UTI permite várias reflexões sobre quais fatores são geradores de estresse.

O trabalho com os pacientes e familiares pode ser um influenciador do desgaste físico e mental e enfermeiros se sobrecarregam com demandas administrativas que são inúmeras.

Mesmo com avanços tecnológicos, as atividades do trabalho em UTI ganham proporções importantes que devem ser repensadas pelos gestores dessas unidades.

Assim, diante da realidade estressora em que trabalham os enfermeiros, devem ser mantidas as exigências da qualidade na assistência.

No cotidiano estressante, enfermeiros se esbarram em vários problemas que vão desde o redimensionamento de pessoal ao preparo técnico da equipe, pois as atividades são especializadas, exigindo para tanto, constantes treinamentos e acompanhamentos.

Todos os enfrentamentos trazem um confronto entre a teoria e a prática, ou seja, a expectativa e a realidade dos profissionais enfermeiros que trabalham nesta unidade trazem conflitos profissionais e pessoais, pela dificuldade encontrada de propiciar, muitas vezes, um desfecho satisfatório para o trabalho executado, resultando em desgaste físico e mental.

Desta forma, com o intuito de pensar nas situações estressoras vividas pelos enfermeiros, a proposta deste estudo em identificar os  agentes estressores e comprometedores da saúde do enfermeiro se justifica, na medida em que se acredita ser fundamental perceber e intervir neste ambiente para promover qualidade de  vida no trabalho.

Na discussão sobre os aspectos apresentados nos resultados deste caso evidenciou-se a necessidade de que as instituições e os gestores planejem e programem estratégias para melhorar o ambiente de UTI, na tentativa de minimizar eventos não benéficos com os profissionais.

A promoção à saúde do profissional interfere positivamente na diminuição dos desgastes tanto emocionais quanto físicos.

Para que haja melhorias perceptíveis neste ambiente, a humanização deve se estender aos profissionais.

Este conceito deve ser inserido na prática, vindo de gestores e líderes com a iniciativa de manter o trabalho menos desgastante.

A aproximação de gestores, a organização do ambiente, a valorização dos profissionais podem ser estratégias valiosas para que o adoecimento seja possível de ser notado, em tempo de ser tratado.

A instituição deve colaborar com maneiras de prevenção elaborando programas que conscientizem a necessidade do auto cuidado.

Conclusão: Os fatores estressores são reais e constantes dentro de uma UTI e esforços precisam ser feitos no intuito de amenizá-los. A instituição deve estar alerta para casos de adoecimento, intervir e melhorar este cenário preocupante.