Olá amigo(a) médico(a), hoje quero falar amorosamente a você, responsável por cuidar da vida de tantos.

Sabemos que o médico é um dos profissionais mais admirados e respeitados no meio social.

É muito comum as pessoas valorizarem esse profissional que lida diretamente com a vida, a saúde e o bem-estar das pessoas.

Essa profissão está intimamente ligada a fatores que atingem o seu paciente diretamente no seu estado emocional.

Inclusive é até comum notar que o paciente costuma “melhorar” sensivelmente apenas pelo fato de ter sido atendido pelo seu médico ou médica.

Contudo, é também nítido notar que os profissionais dessa área estão cada vez mais adoecidos por diversos tipos de enfermidades, especialmente as psiquiátricas, como ansiedade e depressão.

A jornada de trabalho excessiva, o ambiente hospitalar, o contato constante com doenças contagiosas, o próprio estado psíquico dos pacientes, e para piorar, as péssimas condições de estrutura do sistema de saúde pública agravam a saúde do médico que também é um ser humano com suas fragilidades.

Umas das doenças mais comuns é a Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico caracterizado por tensão emocional provocado por condições de trabalho desgastantes.

Todas essas doenças somadas, ou isoladas, podem chegar ao nível máximo, inclusive, gerando ideações suicidas, e, em alguns casos, a consolidação do próprio ato.

Não obstante, é fácil observar também que o próprio médico, em muitos casos, reluta em fazer essa avaliação de que também precisa de cuidados.

O automatismo da profissão, a rotina desgastante, e o compromisso com o trabalho impedem que o profissional adoecido procure outro colega para ser diagnosticado, e consequentemente, tomar a medicação adequada.

O desafio da profissão o impede de observar a si mesmo!

Nesse sentido, nosso alerta é para que o(a) médico(a) permita-se a buscar ajuda e orientação de saúde adequada para seu caso, já que também requer seus cuidados e atenção medicinal.

Recentemente as pesquisas observaram que tal situação vem acometendo, inclusive, os estudantes de medicina, especialmente dos últimos anos, em que o contato com a prática fica mais evidente.

O perfil do aluno de medicina com maior risco de suicídio, de acordo com pesquisas, se dá em alunos com as seguintes características: melhor desempenho escolar, pessoas mais exigentes, mais propensas a sofrer pressões e pouca tolerância a falhas e medo de errar.

O ano de 2017 indicou um número absurdo de casos de suicídios entre estudantes e profissionais da medicina, de modo que chamou a atenção da mídia para o fato.

Esse gravame gerou um movimento (#EstamosJuntos) que foi difundido em várias faculdades de medicina, especialmente na Grande São Paulo.

É necessário falar sobre a angústia e as dificuldades em lidar com o assunto pelo profissional médico – a questão é um problema de saúde pública e deve ser vista com projetos de  prevenção.

Atualmente são indicados como medida de prevenção: a psicologia, atividades práticas como meditação e mindfulness, que ajudam no controle do humor e do reconhecimento precoce desses sintomas que, ocorrendo, possuem tratamento bastante eficaz.

Nesses casos, é indispensável o afastamento das atividades pelo médico ou do estudante para eficaz tratamento.

O direito previdenciário, sendo o direito do cuidado, possui um benefício específico para isso chamado auxílio-doenca.

Esse benefício serve para cobrir casos de incapacidades temporárias, acima de 15 dias, do profissional que necessita de uma pausa na sua atividade habitual para tratamento de sua doença.

O pedido administrativo carece de uma perícia realizada por um médico do SUS pelo INSS, ou do serviço público que vincula o médico a ser afastado.

Tudo pode ser feito pela internet ou pelo canal 135 do próprio INSS.

Basta apresentar uma declaração médica indicando a necessidade do afastamento e demonstrando a qualidade de segurado (contribuição mínima de 12 meses), o médico fará jus ao auxílio-doença pelo período determinado.

Esse período pode ser muito importante para a saúde emocional do médico, pois, fazendo a pausa necessária, com o tratamento correto e a medicação, se indicada, poderá retornar ao seu trabalho ainda melhor e mais disposto a desenvolvê-lo, contudo, sem o risco de prejudicar a si mesmo, com o excesso de carga laboral.

Como sempre ressaltamos é importante que o médico busque orientações de um profissional especializado antes de qualquer medida, a fim de ter êxito no resultado.