Diante das últimas notícias no cenário internacional, aumenta a possibilidade da aproximação de uma segunda onda do covid19 em nosso país.

Perante o exposto, percebemos o impacto dessa situação na saúde mental da população, que se mostra temerosa e enfraquecida por se perceber mais uma vez refém e impotente em meio à força da natureza e às consequências por ela geradas.

O regime de isolamento social reatualiza uma das questões centrais do ser humano a respeito de limitações. Perante aquilo que não temos a possibilidade de controlar, nos entendemos partidos, furados, vazios.

Nossa impotência fica em evidência desencadeando comportamentos e afetos negativos em relação às nossas potencialidades.

Entretanto, temos como nossos grandes aliados nesse momento, aqueles que moram conosco. A consciência de que passamos pela mesma complexidade une as pessoas e desperta novas maneiras de vinculações.

Não é incomum ouvirmos como esse tempo estendido em casa possibilitou uma maior interação de pais com seus filhos -, que usualmente passariam o dia inteiro longe.

Além disso, pessoas que estavam desconectadas por conta dos seus próprios afazeres, se encontram cada vez mais unidas em prol do melhor funcionamento da rotina  doméstica.

Nesse sentido, o suporte que a família fornece a cada um de seus integrantes tem um impacto decisivo na capacidade de enfrentamento das dificuldades, mesmo diante de  tantos obstáculos que se apresentam.

De certo, 2020 nos trouxe muitas reflexões. Nele enfrentamos com maior proximidade nossa impermanência e percebemos o quão curta nossa vida pode ser. Talvez por isso, tenhamos nos apoiado tanto naqueles que nos conhecem mais para superar obstáculos. Cabe ainda lembrar que a privação de nossas escolhas traz um impacto profundo em nosso mundo psíquico. Contudo, podemos sempre aproveitar da sustentação familiar para transcender, com a finalidade de não renunciar à liberdade mental, face às novas possibilidades que se apresentam.