As indústrias de processos químicos vêm buscando cada vez mais desenvolver ferramentas que possam contribuir com a melhor proteção dos seus trabalhadores, do meio ambiente e da população que possa residir às suas proximidades. Para isso, o desenvolvimento de ferramentas de gestão de segurança de processos tem sido uma busca recorrente desse segmento.

Existem diversas legislações e padrões de gestão que tratam da questão dos acidentes ampliados, tais como a Diretiva Seveso III (Diretiva 2012/18/UE) da União Europeia, o regulamento 29CFR Parte 1910.119 da OSHA, além do PSM (Process Safety Management – Gerenciamento de Segurança de Processo), também dos EUA. Essas regulamentações seguem na direção do que determina a Convenção OIT 174 que trata dos acidentes industriais maiores.

Qualquer que seja a regulamentação, a utilização de elementos de gestão de segurança tem como premissa o uso de técnicas específicas para a identificação de avaliação de riscos. Tais técnicas auxiliam no atendimento de requisitos legais, além de contribuir com a melhoria da qualidade, diminuem os setups das plantas e reduzem com problemas de operação.

Uma das técnicas de identificação e avaliação de perigos e riscos é o método do Hazop (Estudo de perigos e operabilidade), que é uma ferramenta muito eficiente para identificação de riscos, sejam eles de segurança, saúde e meio ambiente.

De certa forma é uma ferramenta recente, elaborada na década de 60 pela ICI (Imperial Chemical Industries Ltda), no Reino Unido. Porém começou a ser difundida nas industrias de processos a partir de 1977, com a publicação no Guia da Associação das Industrias Químicas (Chemical Industries Association – CIA). Vem sendo muito utilizada para aplicação na concepção de projetos ou até mesmo adaptação de projetos já existentes.

A ferramenta decorre de uma análise estruturada a partir de processos, sistema ou operação sobre as quais há informações do projeto. É desenvolvido por uma equipe multidisciplinar por meio de observações feitas linha a linha do processo em estudo.

A aplicação é feita levando-se em conta palavras-guia que são combinadas a parâmetros de operação com o intuito de buscar-se desvios significativos para o propósito do projeto em questão.

Conceitualmente, um desvio pode ser entendido como uma falha que pode ocorrer no processo e está associado a uma variável de controle, por exemplo, fluxo alto, pressão inexistente ou reação reversa. Porém há necessidade de haver sentido físico para a aplicação dos desvios, por exemplo, não tem como haver ausência de temperatura, não há como ocorrer viscosidade reversa, etc.

Se há possibilidade de ocorrer riscos potenciais a segurança, saúde e meio ambiente, há necessidade de se estudar o processo pela equipe multidisciplinar.

Como costumeiramente estudado, os perigos e riscos de um processo ou sistema são parâmetros que necessitam de atenção. Perigo é considerado como uma situação de causar danos potenciais em humanos, à propriedade, ao meio ambiente ou uma combinação destes; já o Risco é uma condição estatística, ou seja, traduz-se com sendo a probabilidade de ocorrência de um evento indesejável dentro de um período especificado.

No inicio da aplicação da ferramenta é necessário que a equipe multidisciplinar reúna as informações necessárias, pedindo o fluxograma do projeto, procedimentos operacionais, relatórios de riscos anteriormente utilizados, etc. Os perigos e problemas operacionais são considerados buscando possíveis desvios a partir da intenção do projeto em questão.

A intenção do projeto representa as possibilidades que envolvem a aplicação das palavras-chave associadas aos parâmetros de controle. Aos desvios em que haja possibilidade de sugerir uma causa, as consequências são avaliadas levando-se em consideração a experiência da equipe.

Um dos objetivos de um estudo HAZOP é identificar e avaliar os perigos residuais de um processo ou operação planejada que não foram identificados outras ferramentas.

Embora seja uma ferramenta eficiente, há dificuldades que envolvem a aplicação, pois projetos inadequados ou modificações que não sofreram processos de gestão de mudança podem prejudicar a eficiência.

O Hazop é uma análise qualitativa, porém há possibilidades de se juntar a outras ferramentas de análise de riscos que sejam quantitativas, tais como, Avaliação Quantitativa de Risco (QRA).