Tudo mudou… absolutamente tudo mudou! E um bom exemplo disso foi a rápida adaptação que tivemos que fazer, da noite para o dia e sem muito planejamento, em transportar os colaboradores das empresas para o trabalho em home office. Além disso, para pais, alunos e professores, as aulas saíram da sala para dentro das próprias casas e com isso a rotina da família ficou restrita ao ambiente doméstico. Tudo está acontecendo ali.

O contato intenso com alguns, a ausência de outros, a pressão externa no ambiente econômico, político, sanitário, o caldeirão de informações vividas intensamente em tempos de isolamento social e emocional durante a pandemia, criou um cenário interno que não era conhecido por muitos de nós. Ainda que preferíssemos deixá-los ocultos, vieram à tona e ficaram ainda mais evidentes os desequilíbrios emocionais.

A angústia que surge numa tentativa de antecipar o futuro, a melancolia diante de tantas incertezas e inseguranças, sensações de frustração, solidão, irritabilidade e tristeza são sintomas muito presentes em uma sociedade que vive certo caos.

Parou para refletir a respeito das emoções e sentimentos? De que forma aprendemos a reconhecê-los e aplica-los em nosso dia a dia?

Desequilíbrios emocionais conduziram o stress dos humanos lá para as alturas e uma prova disso é que os conflitos em condomínio se multiplicaram durante a pandemia de coronavírus, segundo a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (AABIC). Os registros de queixas triplicaram em alguns prédios de acordo com a entidade que reúne empresas que administram cerca de 16 mil condomínios.

As reclamações cresceram na proporção em que as pessoas passaram a ficar mais tempo em casa, na avaliação do presidente da associação, José Roberto Graiche Junior. “O pessoal, antes da pandemia, não estava acostumado a ficar tanto tempo dentro de casa. Agora, tem que trabalhar em casa e conciliar a escola dos filhos com estudo online”, explica.

Infelizmente nossa orientação sempre foi voltada para a “mão de obra” e não para o “coração de obra”, portanto o foco é direcionado para a produção, a sermos funcionais em termos de resultado, produção e consumo. E então, onde ficam os afetos?

E o que a disciplina tem a ver com tudo isto?

Ela se encaixa a partir do momento em que buscamos recriar hábitos, rever comportamentos, estabelecer foco, e principalmente identificar um ritmo que traga eixo de presença.
Disciplina como uma forma de observar, reconhecer as suas reais necessidades, aquilo que te coloque em um caminho de bem-estar.

Lido com a depressão em minha vida há anos, e compreendi que para o tratamento de uma doença multifatorial, a solução também passa por multifatores. Comecei a ser mais disciplinado quando entendi que aquilo que eu queria nem sempre era o que eu precisava, e houve a mudança quando passei a construir hábitos que trouxeram mais saúde em todos os campos da minha vida: físico, psíquico e emocional.

Inclua a Saúde Mental neste espaço de autocuidado e que a disciplina seja a ferramenta chave neste processo de estabelecer um compromisso consigo, visando a criação de pílulas de bem-estar em seu dia a dia.

Para que tenhamos uma vida equilibrada, nosso sistema precisa ser regulado, um sono tranquilo, uma alimentação a base de comida fresca, mais frutas e vegetais, atividade física, meditação, horários mais definidos, tempos de descanso e pausas tão fundamentais – ainda mais em home office onde o pessoal e o profissional se confundem.

Seja gentil e comprometido, nem sempre o que parece simples é fácil, mas tenha claro qual é o sentido de uma mudança para você.

Não é da noite para o dia que alcançamos um grande objetivo, saiba que isso faz parte de um processo contínuo, dinâmico como a própria vida e que nos permite a escolha de fazer melhor e diferente.

Para um maratonista que tem como meta um percurso de 42 quilômetros, o fôlego, a disposição, a vitalidade são conquistas diárias… As micrometas ou pequenos hábitos que o levam adiante, que muitas vezes começam com uma caminhada diária com regularidade 200 metros por dia (olha a disciplina ai!), e passo a passo as quilometragens tomam corpo até atingir o objetivo final.

Quando falamos em saúde mental precisamos contemplar os 3 aspectos vitais da nossa vida: o Físico, Espiritual e Mental, e dar o merecido cuidado a cada uma destas partes, mesmo porque elas representam o todo que somos.

Quando me refiro a disciplina, é justamente na busca de uma realidade onde haja mais equilíbrio envolvendo o seu lado pessoal e profissional. Por isso, a nutrição de cada um destes pilares, físico, espiritual e mental são fundamentais para termos um alicerce mais poderoso e para suportar as tempestades que por ventura virão, e provavelmente virão mesmo.

Saiba que não precisa passar por tudo isso sozinho, não tenha vergonha de se sentir vulnerável, reconheça a força que pode haver neste momento, tente não bancar o herói, busque uma rede de apoio, pessoas especializadas, permita-se.

Umas das grandes lições da COVID foi revelar que somos seres relacionais, que a vida é efêmera e que temos a chance de fazer diferente.