As empresas, especialmente os membros do RH, estão olhando com mais cuidado para os riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores estão expostos, principalmente porque a gestão humana está no centro da retenção de talentos nas organizações. Ninguém quer perder bons profissionais, principalmente deixá-los afastados por alguma doença adquirida no ambiente de trabalho.

Os riscos ocupacionais vão além da atividade da empresa, envolvem processos, insumos, maquinário, dentre outros fatores. Quando tratamos do ramo plástico e papel, os principais riscos envolvidos estão atrelados a todos os fatores acima mencionados, principalmente os que estão relacionados a maquinários e insumos, pois as máquinas utilizadas nessa indústria geram ruído extremamente alto, que pode ocasionar na perda auditiva dos colaboradores, se não bem controlado e acompanhado.

Outro fator interessante: colaboradores expostos a mais ruídos dentro de um ambiente correm um risco maior de se acidentar do que os não expostos a ruído em excesso. Mais um agente causador, principalmente na indústria plástica, é o risco de calor gerado por esses equipamentos em determinados processos, que pode causar desidratação, fadiga, elevação ou queda de pressão arterial dentre outros. Além do próprio plástico derretido, que em contato com a pele em caso de acidente, pode gerar danos gravíssimos.

Já para a indústria do papel, temos também o risco de exposição à poeira gerada pela transformação da própria celulose até o produto final, onde podem ocorrer lesões no trato respiratório, sendo necessário o uso de equipamentos de proteção como máscara, por exemplo. Além de outros controles operacionais e produtos químicos específicos usados em todo o processo, desde o tratamento da matéria prima até o produto final, onde existem controles multidisciplinares, EPC e EPI especifico que deverão ser utilizados dependendo do tipo de agente químico manuseado e pode gerar vapores ou levar ao contato acidental com o produto, provocando desde simples lesões até doenças mais graves.

Há nesses ambientes também o risco de acidentes, como esmagamentos, queimaduras, quedas de materiais, cortes, dentre outros, que requerem cuidados específicos. Campanhas de conscientização são muito importantes, pois, muitas vezes eles são causados por falta de atenção ou cuidado do próprio acidentado ou seus colegas. Temos de considerar também os fatores ergonômicos envolvidos – estes não são exclusividade da indústria de plásticos e papel, mas da indústria, em geral, que também geram lesões e doenças no ambiente de trabalho. ‘

Os riscos ocupacionais estão presentes em qualquer tipo de operação que envolva trabalho, independente do segmento ou forma de atuação. Falar sobre as doenças ocupacionais é vital para saúde do colaborador, mas também essencial para a saúde da empresa e nem sempre os gestores ou dirigentes da equipe estão cientes de que podem estar expostos a algum tipo de risco.

As doenças ocupacionais são aquelas desencadeadas durante a atividade laboral, ou seja, enquanto se está exercendo o trabalho. A atribuição de doença ocupacional é reconhecida em duas situações, que inclusive parecem ter a mesma definição, mas não tem, são elas: doença profissional e doença do trabalho.

Doença profissional são aquelas que o indivíduo desenvolve por ação da atividade laboral, ou seja, surge enquanto o profissional realiza sua atividade e não tem influência externa, é apenas relativa à ocupação profissional. Já Doença do trabalho são causadas pela condição de ambiente ao qual o profissional fica exposto enquanto realiza sua atividade laboral.

O Brasil tem sido um dos países com os mais altos índices de afastamentos do trabalho, de 2012 a 2018 foram mais de 4,5 milhões de notificações sobre acidentes do trabalho (catweb SP), sendo que milhares estão relacionados a doenças ocupacionais ou do trabalho, segundo os dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho – SmartLab, na tabela de perfil dos afastamentos conforme os tipos de doenças.

Se você é gestor ou proprietário de empresa, fique atento a estas orientações:

Invista em treinamento e orientação: todos os profissionais devem estar cientes de como é devem realizar suas tarefas. Precisam conhecer a fundo todos os riscos e armadilhas que possam estar sujeitos durante a realização da atividade e como eles devem se preparar para evitá-los.

Equipamentos para proteção individual ou coletiva: algumas atividades requerem habilidades do profissional e equipamentos específicos para sua realização.

Mapeamento de risco ocupacional: o mapa de risco é fundamental e deve ser feito em todos os ambientes de trabalho para assegurar que o local apresenta ou não, algum tipo de risco. Mapear o risco é demonstrar preocupação com seus profissionais, assegurando que eles estejam protegidos durante o cumprimento de suas obrigações.

Documente as ocorrências: toda vez que acontece algo no ambiente de trabalho é importante registrar e colocar em pauta para discussão para que sejam tomadas providências imediatas. Afinal, um acidente pequeno e sem proporções poderá evoluir para um problema mais grave, caso não seja tratado na origem.

fonte:https://smartlabbr.org/sst/localidade/3550308?dimensao=perfilCasosAfastamentos