A construção civil é um dos setores de maior empregabilidade no Brasil, principalmente quando se trata de colaboradores que não possuem nível de escolaridade elevado, fora a variedade de funções existentes no setor: pedreiros, serventes, carpinteiros e por aí vai. Muitas tarefas de construção exigem trabalhos físicos pesados, como levantar e transportar cargas. Conforme o AEAT, Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, do ano de 2017, a quantidade de acidentes do trabalho, por situação do registro e motivo, segundo os 200 códigos da Classificação Internacional de Doenças, totalizou 622.379 mil, sendo que 60.060 mil foram ocorrências de ferimento de punho e da mão, liderando a quantidade de CID’s. Os números elevados de acidentes e adoecimentos no setor se devem à falta de treinamento e à falta de aderência dos colaboradores, que possuem excesso de confiança e acreditam não precisar utilizar os equipamentos de proteção, herança da sociedade machista na qual são criados.

Quando se busca a ergonomia dentro do ambiente laboral na construção civil, é visível a falta de adaptação do trabalho ao homem. O transporte de cargas, por exemplo, nem sempre é feito por equipamentos que façam transporte e deposição correta de material ou os produtos não são providos de uma pega boa. Como exemplo, podemos citar os sacos de cimento, que possuem 50 quilos e não possuem uma boa pega, é o tipo de carga manuseada constantemente pelos colaboradores que não participam dos treinamentos ou não aplicam o que lhes é repassado nestes treinamentos, podendo ser acometidos de adoecimento por dorsalgia, dores no dorso, causadas pela má disposição do colaborador no momento em que realiza o transporte. A dorsalgia consta no AEAT(2017) como o quinto CID mais registrado como acidente do trabalho.

Para modificar esse cenário há sugestões para a diminuição da quantidade de peso de um saco de cimento. De acordo com a equação de NIOSH, National Institute for Ocupacional Safety and Health – EUA, o valor de referência para transporte manual de cargas no plano sagital equivale a 23 quilos, ou seja, menos da metade do que comporta um saco de cimento. Existem sugestões para que essas embalagens tenham sua carga reduzida, facilitando o transporte adequado e o manuseio facilitado durante sua utilização. Outro aspecto que foge à ergonomia dentro da construção civil é o manuseio de tijolos durante a construção de uma parede, o ato do pedreiro rotacionar seu tronco e se agachar para pegar o produto e em seguida aplicar um sobre o outro, sem controle de altura de onde o material se encontra e até onde ele vai deposto, pode trazer adoecimento na coluna e na região dos braços. A falta de um equipamento que sirva como suporte desse produto na hora de utilizá-lo e a falta de treinamento força o colaborador a realizar estes movimentos inadequados. Além das condições citadas anteriormente, a não utilização de EPI’s, equipamentos de proteção individuais, contribui para o significativo índice de ferimentos do punho e da mão. As luvas estão entre as recomendações primárias de proteção e segurança dentro de atividades da construção civil, porém os colaboradores alegam que este equipamento dificulta o manuseio de ferramentas e utensílios, impossibilitando a boa execução de sua atividade.

O trabalho para diminuição do número de acidentes e adoecimentos deve ser voltado inicialmente para a conscientização dos colaboradores através de treinamentos onde devem ser expostas quais as consequências da não utilização dos EPI’s, quais os procedimentos de segurança devem ser seguidos e como manusear de maneira menos ofensiva ao corpo humano as cargas conduzidas manualmente.

Além desses treinamentos é recomendável averiguar se os procedimentos estão sendo cumpridos e contabilizar a influência benéfica dos procedimentos de segurança, como os gastos em tratamentos de saúde, a diminuição de absenteísmo por adoecimentos e a queda em possíveis demandas de origem judicial, criando um parâmetro dos pós e contras, influenciando beneficamente de maneira coletiva os colaboradores.